A Gerência de África, Ásia, Oceania e Leste Europeu, inserida no setor de Cooperação Técnica entre Países em Desenvolvimento, destaca-se como o ramo da ABC engajado em projetos destinados a minorar o impacto da exclusão econômica e social em países que apresentam grandes obstáculos no caminho para o desenvolvimento. Dentre as regiões-alvo dessa Gerência, destaca-se o continente africano, principal destinatário e grande beneficiário das ações de cooperação técnica. Nesse âmbito, muitos são os países que já estabeleceram acordos com o Brasil, a fim de receberem capacitação ou condições adequadas para o desenvolvimento, dentro das possibilidades oferecidas pelo próprio país, de ações que promovam um significativo impacto positivo na qualidade de vida das populações dos países parceiros. Assim, tendo em vista a proximidade histórico cultural que o idioma comum estabelece, é natural que os laços mais estreitos da cooperação horizontal brasileira sejam com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, os PALOP.
Angola
A cooperação técnica entre a República Federativa do Brasil e a República de Angola começou a se desenhar em 1980, com a assinatura do Acordo de Cooperação Econômica, Científica e Técnica, no dia 11 de junho daquele ano. A partir dessa data, várias iniciativas no campo da cooperação técnica marcaram as relações bilaterais entre os dois países. Merecem destaque as visitas do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Angola, em novembro de 2003, e em outubro de 2007, bem como a realização da VI Comista Brasil-Angola, em abril de 2005, em Brasília. As referidas visitas presidenciais, inegavelmente, deram novo impulso à implementação e à ampliação de programas e projetos de cooperação técnica com Angola.
Durante os anos de guerra em Angola, a cooperação técnica cresceu, com especial destaque para a formação profissional. A instalação, em 1998, do Centro de Formação Profissional do Cazenga, nos arredores de Luanda, projeto apoiado pelo SENAI, com objetivo de contribuir para o esforço de reinserção social e reciclagem de mão-de-obra desmobilizada. A instituição forma atualmente cerca de 2.500 profissionais por ano.
Os programas de cooperação técnica que o Brasil oferece, atualmente, desenvolvem-se em diversos setores: agricultura, esportes, educação ambiental, saúde pública, ciência e tecnologia, e combate a incêndios e salvamento. O projeto de saúde pública é particularmente relevante, e tem como objetivo a criação de uma escola de pós-graduação dedicada à saúde, setor que sofre de escassez aguda de recursos humanos.
Há ainda demandas angolanas por assistência técnica brasileira nas seguintes áreas: segurança pública, metrologia e certificação, estatística, administração pública e formação de diplomatas.
No intuito de propor novas demandas de cooperação técnica e em preparação à VII Comista Brasil-Angola, a ser realizada em Luanda, em 2009, o diretor da Direção de Cooperação Bilateral da Chancelaria angolana, Embaixador Florêncio de Almeida esteve em Brasília, em novembro de 2008. Na época, novas demandas de cooperação técnica foram manifestadas pela delegação angolana. Para viabilizar o atendimento das demandas solicitadas, a ABC realizou Missão de Prospecção de Atividades de Cooperação Técnica a Luanda, no período de 18 de janeiro a 7 de fevereiro de 2009.
A seguir, o relacionamento bilateral e o andamento das principais iniciativas e projetos de cooperação técnica entre os dois países:
Cabo Verde
O Governo brasileiro vem procurando oferecer apoio a Cabo Verde nos mais diversos setores, seja na área da educação, com seu projeto de Alfabetização Solidária, seja na do trabalho, com o Centro de Formação Profissional, e mesmo no que tange aos direitos humanos, com um protocolo de intenções nesse sentido. Em suas visitas àquele país, o Presidente Lula tem demonstrado crescente interesse, por meio da assinatura de documentos, no desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida da população cabo-verdiana. A ABC, por sua vez, incumbe-se da implementação e acompanhamento dos projetos, manifestando mais uma vez a relevância da cooperação técnica entre os países em desenvolvimento.
PROGRAMA DE ALFABETIZAÇÃO SOLIDÁRIA EM CABO VERDE:
Assinado em 14 de janeiro de 2005 por ocasião da visita do Ministro de Estado brasileiro a Cabo Verde, o projeto tem como objetivo geral apoiar os esforços de diminuição do analfabetismo de jovens e adultos em Cabo Verde. Ele prevê a capacitação continuada dos alfabetizadores e coordenadores, que será realizada por meio de missões trimestrais de professores das Universidades brasileiras.
PROJETO DE DESSALINIZAÇÃO EM RIBEIRA DA BARCA:
O projeto objetiva a dessalinização da água de poços, buscando criar uma alternativa técnica e socialmente diferente para abastecimento de água de Cabo Verde. Prevê a doação de equipamento de dessalinização de poços por parte da Agência Brasileira de Cooperação e o aporte de experiência na implementação e operação desses sistemas por parte da Secretaria de Infra-Estrutura da Bahia, com participação comunitária.
PROJETO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL:
Capacitar profissionais do Instituto de Emprego e Formação Profissional de Cabo Verde e entidades parceiras e criar as condições para a implantação futura do Centro de Excelência na área de Formação Profissional, transferindo conhecimentos, metodologias e experiências de instituições brasileiras neste campo.
Guiné-Bissau
A cooperação técnica entre a República Federativa do Brasil e a República da Guiné-Bissau teve início com a assinatura do Acordo Básico de Cooperação Técnica, em maio de 1978. A partir desta data, várias iniciativas no campo da cooperação técnica marcaram as relações bilaterais entre os dois países.
Merece destaque, em abril de 2005, a visita do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva à República da Guiné-Bissau, demonstrando a prioridade conferida pelo Governo brasileiro à cooperação com os países africanos. A visita deu novo impulso à implementação e à ampliação de programas e projetos de cooperação técnica com a Guiné-Bissau, em especial aos projetos das áreas de saúde, agricultura, e formação profissional.
Os projetos em execução são os seguintes:
Atividades Executadas em 2008
Moçambique
Um dos mais comprometidos com a idéia da cooperação prestada brasileira é Moçambique que, com a assinatura do Acordo Geral de Cooperação entre os Governos brasileiro e moçambicano em 15 de setembro de 1981, passou a desenvolver parcerias nas mais diversas áreas, dentre as quais se destacam:
Em 2004, o Projeto PCI-Ntwanano, na área de DST e AIDS, encerrou suas atividades, que incluíram o tratamento de 100 pacientes moçambicanos com medicamentos doados pelo Brasil, a capacitação de médicos e a implantação do sistema logístico para o referido tratamento.
Outro tema relevante, que tem sido objeto de conversações entre os Governos do Brasil e de Moçambique, é a instalação da Fábrica de Anti-Retrovirais. Após entendimentos, o Ministério da Saúde comprometeu-se a preparar uma proposta de projeto de cooperação técnica, com vistas à realização de estudo de viabilidade para a instalação de fábrica de anti-retrovirais em Moçambique.
Na área educacional, são dois os projetos bilaterais: Cooperação na área de Alfabetização e Educação de Adultos; Bolsa Escola em Moçambique; e Uso de Tecnologias da Informação e da Comunicação na Educação Presencial e a Distância em Moçambique.
O projeto Cooperação na área de Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos resulta de negociações ocorridas em 2003, tendo em vista a avaliação final do projeto Alfabetização Solidária em Moçambique, concluído em março de 2003. Neste novo projeto, idealizado em decorrência desse processo, apresentam-se quatro novas perspectivas estratégicas de trabalho, com a participação do Ministério da Educação do Brasil. Novo Ajuste Complementar referente a esse projeto foi assinado por ocasião da visita presidencial a Maputo, em 2003.
O projeto Bolsa Escola em Moçambique teve continuidade em 2004/2005 com o pagamento das bolsas, no valor de US$ 20, a 100 famílias carentes moçambicanas. Neste momento, meta do governo brasileiro é expandir o número de famílias beneficiadas.
Está em andamento o Projeto de Apoio ao Desenvolvimento e Fortalecimento do Setor de Pesquisa Agropecuária da República de Moçambique, que se constitui de um conjunto de ações que visam o estabelecimento institucional e operacional do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique – IIAM. Seu Ajuste Complementar foi igualmente firmado por ocasião da visita presidencial a Moçambique, em 2003.
Está em andamento o Projeto “Inserção Social pela Prática Esportiva”, que prevê a implementação dos programas Pintando a Liberdade e Segundo Tempo em Moçambique.
O programa “Pintando a Liberdade” prevê a instalação de uma fábrica de bolas em uma unidade prisional moçambicana e a capacitação dos detentos locais no processo de produção, enquanto o programa “Segundo Tempo” utiliza a produção da fábrica de bolas no desenvolvimento de programas sociais complementares à educação elementar e secundária.
O Governo moçambicano, por meio da Embaixada do Brasil em Maputo, tem manifestado interesse na cooperação bilateral em outras áreas, como Governo Eletrônico, Sistema Prisional e Justiça. Entretanto, ainda é necessário a identificação de instituições brasileiras que estejam interessadas em cooperar com o Governo de Moçambique.
São Tomé e Príncipe
Desde a assinatura do Acordo Básico de Cooperação Científica e Técnica entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Democrática de São Tomé e Príncipe, assinado em Brasília, em 26 de junho de 1984, várias iniciativas de cooperação entre os dois países foram implementadas, tanto por demandas apresentadas por aquele país como por missões realizadas pela ABC a São Tomé e Príncipe.
Após vista oficial ao Brasil do Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de São Tomé e Príncipe, em novembro de 2000, empreendeu-se, em maio do ano seguinte, missão brasileira a São Tomé e Príncipe com o objetivo de identificar possibilidades de cooperação técnica a serem desenvolvidas entre os dois países. Assim, foi possível definir as propostas de projetos bilaterais que atualmente encontram-se em execução.
A partir de 2000, o estabelecimento de grandes projetos nas áreas de Saúde e Educação, a saber, “Apoio ao Ministério da Saúde de São Tomé e Príncipe na prevenção do DST/AIDS”, “Alfabetização Solidária em São Tomé e Príncipe” e “Bolsa-Escola em São Tomé e Príncipe”, aprofundou as relações brasileiras com o país africano. A continuidade dos referidos projetos foi garantida pela assinatura de novos documentos e emendas aos ajustes complementares anteriores. A cooperação técnica foi ampliada, na área agrícola, por meio dos Ajustes Complementares para o desenvolvimento de projetos na área de extensão rural e abrangeu novos temas, como o Esporte, por meio do Acordo de Cooperação Esportiva.
As perspectivas da cooperação técnica brasileira-santomense são promissoras, pela continuidade dos projetos na área de educação, que lograram ampliar significativamente os índices de alfabetização e freqüência à rede escolar em São Tomé e Príncipe. Os projetos na área da saúde e agricultura passam por período de readequação para serem implementados em nova fase.