SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) é um dos mais importantes pólos nacionais de geração e difusão de conhecimento aplicado ao desenvolvimento industrial. Modelo de instituição, por sua experiência, seriedade e competência, contribuiu para consolidar o Sistema de Formação Profissional no Brasil e, com o apoio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), transferiu seu modelo a outros países da África, Ásia e América Latina.
A formação profissional, em termos de volume de recursos investidos, constitui-se em um dos maiores temas da cooperação prestada pelo Brasil. Por meio da parceria com o SENAI, na África, centros de formação profissional encontram em operação em Angola, Cabo Verde e Guiné Bissau, e dois outros novos centros serão implantados brevemente em São Tomé e Príncipe e Moçambique.
Um exemplo ilustrativo, no contexto da cooperação desenvolvida com o SENAI, é o do Centro de Formação Profissional Brasil – Angola, em Luanda. Esse centro, fundado em 2000, é o resultado de vários anos de planejamento e coordenação técnica realizados pela ABC e SENAI. Identificou-se naquele país, destruído por longo conflito interno, uma série de dificuldades em se encontrar mão-de-obra qualificada para prestar apoio nos esforços de reconstrução. Desta forma, o projeto apoiou a formação de quadros qualificados nas áreas de mecânica de motores, construção civil, eletricidade, vestuário e informática, contribuindo para o esforço de reinserção social e de reconstrução nacional do país. O referido Centro encontra-se atualmente em pleno funcionamento, e conforme previsto no projeto original, o Governo brasileiro transferiu com sucesso, em 2005, a sua gestão para o Governo angolano.
Centro de Formação Brasil-Paraguai
Objetivos
O projeto Centro de Formação e Capacitação Profissional Paraguai-Brasil, em Hernandárias, tem por objetivo contribuir para o esforço de recuperação sócio-econômica da região de Ciudad del Este, por intermédio da formação e reconversão profissional da mão-de-obra ociosa pela queda do comércio de triangulação na região. Conseqüentemente, o projeto pretende contribuir, também, para o fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas.
Os objetivos específicos do projeto são:
Responsáveis pela Execução
O projeto, apoiado pela ABC e pelo Ministério da Justiça e Trabalho do Paraguai, é executado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e pelo Serviço Nacional de Promoção Profissional do Paraguai (SNPP).
De acordo com entendimentos realizados em Brasília, em outubro de 1998, entre a Agência Brasileira de Cooperação e a Secretaria Técnica de Planejamento do Paraguai (STPP), foi assinado em novembro daquele ano, por ocasião da visita ao Paraguai do então Ministro da Indústria, Comércio e do Turismo, Embaixador José Botafogo Gonçalves, Memorando de Entendimento entre os dois Governos para a implementação de um projeto bilateral para a criação de um Centro de Formação e Capacitação Profissional na região de Ciudad del Este.
Posteriormente, após as mudanças ocorridas no Governo paraguaio e a substituição da instituição responsável pela coordenação do projeto naquele país (STPP), realizaram-se vários encontros de trabalho entre representantes das instituições envolvidas, ABC e SENAI, pelo lado brasileiro, e Ministério da Justiça e Trabalho (MJT) e Serviço Nacional de Promoção Profissional (SNPP), pelo lado paraguaio, para definir as áreas a serem contempladas no mencionado projeto, os recursos financeiros necessários à sua implementação e a elaboração da proposta de Ajuste Complementar para respaldar sua execução.
Duração
O projeto teve seu início formal em 15 de janeiro de 2002, quando da assinatura do Ajuste Complementar para a implementação do projeto, sob a égide do Acordo de Cooperação Técnica entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República do Paraguai, de 27 de outubro de 1987. Inaugurado em 27 de setembro de 2002, o Centro teve sua duração prevista até o mês de maio de 2004. O projeto foi prorrogado pelo período de mais dois anos, com a inclusão de novas ações bilaterais de cooperação técnica.
Recursos envolvidos
O projeto apresenta um custo total de US$ 2.167.264. A parte brasileira, por intermédio da ABC e do SENAI, aporta cerca de US$ 1 milhão (US$ 1.051.864), para o pagamento de horas técnicas, passagens, diárias e seguros de saúde para peritos nacionais e internacionais de curto e longo prazo que atuam no Centro. Estes recursos destinam-se, igualmente, à prestação de serviços de pessoas jurídicas, material de consumo, material permanente, operação e manutenção de escritório para as áreas operacionais do projeto.
No que se refere à contrapartida paraguaia, o Governo daquele país aloca recursos praticamente do mesmo porte aos do Governo brasileiro, no valor de US$ 1,115.400, para: a) a recuperação das instalações e oficinas do Centro de Hernandarias (obras já executadas); b) a aquisição dos equipamentos ferramentais e mobiliário para as áreas ocupacionais; c) a aquisição de veículo utilitário para o projeto; d) o pagamento dos salários e encargos sociais da equipe técnica paraguaia; e e) despesas de manutenção do Centro, tais como energia elétrica, água, telefone, etc.
Situação atual
Foram enviados e instalados os equipamentos instrucionais para a modernização do Centro, elaborados os materiais didáticos e treinados os instrutores paraguaios para ministrarem os cursos por três especialistas brasileiros em missão de longa duração. Como resultado, o projeto já proporcionou a formação de 1.139 jovens, em 111 cursos nas áreas eletro-eletrônica, metal-mecânica, construção civil, informática e mecânica diesel. Atualmente, 453 alunos encontram-se matriculados no Centro, em cursos nas diversas disciplinas.
Quanto à implementação do projeto, uma das dificuldades apresentadas se refere à disponibilidade da contrapartida do Paraguai, principalmente quanto aos salários e ao número insuficiente de docentes e técnicos para as áreas de atuação do Centro, bem como de apoio as atividades técnico-administrativas. O SNPP, segundo o Coordenador brasileiro, Senhor Percy Engel, deixou de adquirir uma série de itens, tais como de equipamentos, veículo, ferramentas e mobiliário das oficinas, salas de apoio e da parte administrativa do Centro, que representam os US$ 664,000 (seiscentos e sessenta e quatro mil dólares), previstos em seu plano de trabalho. Também não vêm conseguindo realizar a manutenção dos equipamentos colocados à disposição do Centro. Ademais, o SNPP no período de execução do projeto substituiu, por cinco vezes, o seu Diretor e, por 3 vezes, o Coordenador paraguaio do Centro/projeto.
O projeto atingiu seus objetivos quase que integralmente, ao final da primeira etapa, em 10 de maio de 2004. A sua totalidade só não foi alcançada em alguns dos resultados estabelecidos no projeto, em conseqüência dos diversos problemas, que ocorreram durante todo período de implementação.
Com a concordância do Governo Brasileiro quanto à extensão por mais dois anos na cooperação técnica deste projeto, conforme previu o ajuste complementar, foram tomadas as seguintes providências em 2004.
As missões foram realizadas e definiu-se que:
Centro de Formação Brasil-Angola
O Centro de Formação Profissional do Cazenga está localizado em Luanda, em Angola. Resultado da parceira entre a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o centro tem como objetivo contribuir para a reinserção social e a reconstrução nacional de Angola por meio da formação e reciclagem de mão-de-obra desmobilizada. Para isso, o Centro transferiu sua metodologia de realização de treinamentos e de operação para o Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional de Angola (INEFOP).
Foram várias etapas até o Centro entrar em funcionamento. Em setembro de 1997, técnicos da ABC e do SENAI estiveram em Luanda para a seleção dos técnicos angolanos que seriam treinados no Brasil. Posteriormente, em abril de 1998, um especialista angolano veio ao Brasil para tratar, em conjunto com a ABC e com o SENAI, da operacionalização do Centro. Entre maio e junho do mesmo ano, um engenheiro do SENAI, em conjunto com as autoridades angolanas, levantou informações técnicas para subsidiar o detalhamento das etapas de implantação do Centro e identificou o local apropriado à sua instalação.
O treinamento dos formadores angolanos no Brasil foi realizado entre setembro e novembro de 1998. O Centro foi apresentado às autoridades brasileiras e angolanas em solenidade, com a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, dia 9 de julho de 1999, em São Paulo, e sua inauguração em Angola ocorreu no dia 30 de novembro de 1999. Os cursos foram iniciados em janeiro de 2000 e em julho do mesmo ano foi realizada a cerimônia de formatura da primeira turma de alunos capacitados pelo Centro, totalizando 144 formandos. Em 2005, o controle do Centro foi transferido para o governo angolano.
Atualmente o Centro oferece doze cursos: mecânica, elétrica, informática (hardware), inglês, alvenaria, eletrônica, artesanato, costura, encanamento, carpintaria, serralheria civil e refrigeração. Para os próximos anos, está prevista a abertura de cursos de AUTOCAD, redes de comunicação, programação, mestre de obras, orçamentista eletromecânica e mecatrônica.
Os cursos tem duração média de seis meses e são realizados nos turnos matutino ou vespertino. Apesar de serem pagos, o preço do curso é baixo para a realidade local . Além disso, o Centro oferece bolsas e isenções direcionadas especialmente para portadores de necessidades especiais. O material didático utilizado, fornecido pelo SENAI/SP, é todo fabricado na reprografia do Centro.
O Centro conta com 30 instrutores, a maioria com cursos de formação profissional realizados no Brasil. Todo ano, cerca de 1.200 alunos são atendidos. Desde o início dos cursos em 2000, até 2008, passaram pelo centro 18.928 alunos.
A visão do mercado sobre o egresso do Centro de Formação do Cazenga é bastante positiva, já que há uma procura grande pelos cursos oferecidos no Centro. A excelência dos processos, técnicas e instalações adquiridas por ocasião da cooperação brasileira, fazem do Cazenga uma referência dentro do sistema angolano de formação profissional.
